domingo, 1 de abril de 2012

Renascimento



O lixo emocional acumulado pode provocar competições, invejas e mágoas
"Portanto, se trouxestes a tua oferta ao altar, e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai reconciliar-te primeiro com teu irmão e, depois, vem e apresenta a tua oferta"
(Mt 5:23-24).
Sabemos que o lixo deve ser jogado no lixo. E que, quando acumulado, pode causar danos à nossa saúde física. Mas na vida psicológica, nos nossos relacionamentos, não fomos ensinados, não treinamos como podemos jogar o lixo psicológico fora .
Acumulamos a "sujeira emocional" e, por causa disso, a convivência vai ficando difícil ou até mesmo insuportável. Aquilo que nos incomoda não é dito, não é confessado. Procuramos fingir que esquecemos, ou que está "tudo bem", quando não está. Esse lixo emocional acumulado pode provocar competições, invejas, coalizões, mágoas, ofensas, distorções maldosas, implicâncias, rótulos infelizes.
Segundo Fábio Damasceno, do mesmo modo que a natureza física necessita de interação e renovação para manter o equilíbrio do sistema e a qualidade de vida, a nossa vida psicológica também precisa dessa dinâmica para viver bem, para alcançar a maturidade e realizar-se na expressão do seu potencial. Para tanto, a usina de reciclagem do lixo psicológico, a parte fundamental neste ecossistema, é o perdão.
Mas o perdão como agente de cura interior, como um ato de livre arbítrio, como escolha, como opção. Escolher perdoar poderá desencadear crescimento e desenvolvimento espiritual, bem como amadurecimento psicológico. Se a pessoa escolhe não perdoar, ninguém poderá convencê-la do contrário, e sérias conseqüências poderão acontecer na vida desta pessoa, na estrutura da sua alma, onde estão suas vivências, cicatrizes, problemas, traumas, enfim toda a sua história.
Damasceno diz que o perdão é a cirurgia plástica que fazemos em nossa alma para remover as marcas do passado. Colocando o perdão como ato de escolha, o importante é querer perdoar, independente do sentimento, do intelecto e da vontade. Quando decidimos querer perdoar, já iniciamos o processo de cura interior. Resistir a liberar o perdão é algo que causa danos,às vezes, irreversíveis à saúde.
Esta resistência, às vezes, se fundamenta na gravidade dos fatos ocorridos. Para isso, o processo de cura interior baseia-se no fato de que não importa o que fizeram, mas o que você fez com o que fizeram a você. Para que possamos perdoar, de fato, é necessário deixar vir à tona o que os outros fizeram contra a gente e, então, decidir o que fazer com aqueles lixos e aqueles subprodutos de raiva e dor.
O autor ensina como atingir a cura: consiste em decidir liberar o perdão, cujo ponto inicial é a dor, a mágoa. É preciso falar, chorar, lembrar, quantas vezes for necessário, das dores, humilhações que deixaram tatuagens profundas, expressar os sentimentos, rasgar o coração. É natural, nesta etapa, sentir raiva, tristeza, indignação, amor próprio ferido. Depois, cada vez que isso volta à sua mente, e você persiste, liberando o perdão, você estará num nível diferente de aceitação e compreensão, como se estivesse subindo uma espiral, até chegar ao ponto final: a ferida cicatrizada. Os sentimentos se esgotam dentro do processo sarador. Você se lembra de tudo, mas não dói mais.
O que considero muito importante neste processo é que a liberação do perdão faz diferença, não para o perdoado, mas para aquele que perdoou. Assim, você pode perdoar uma pessoa que nem mesmo se arrependeu do que fez. Considero este processo fundamental para a prevenção de doenças psicossomá-ticas e para a qualidade nas relações interpessoais. Na família e no trabalho, muitas pessoas se evitam ou, quando se encontram, sentem aquele friozinho na barriga devido a ressentimentos por experiências dolorosas do passado. Tudo isso pode ser curado dentro de cada um de nós, sendo benéfico para a saúde física, emocional e espiritual. Dê atenção a você! 
 
Texto de Drª Kátia Ricardi de Abreu




É tão simples ser criança
Com candura encontrar a noite
Tendo como amiga a luz da esperança
É tão simples ser criança
Ver no mundo tanta loucura
E acreditar na mudança
Triste fim o da infância
Pois como adulto põe fim a magia e constrói a desconfiança.
(KBB) 

 
Nesta breve jornada de infante a menina
Ganhei coragem, propósito e destino.
Tantas vezes em meu caminho
Ora parei, ora tomei atalhos que me afastavam e iludiam
Mas ao fim da breve trilha, percebia meu engano
E com face desejosa esperava um novo dia.
Então o tempo, grande algoz da eternidade,
Como Chronos me engoliu e acabou-se o tempo da mocidade. 
(KBB)




Frio molde que contêm e que impõem.
Toda junta massa humana como algoz.
A sua vez, um por um todos perdem sua voz.

Originalidade tem um preço, custa muito estar só
Relega-se o diferente, só se vê o preto e o branco
O tom cinza só existe no molde do concreto
Que rotula o igual como correto. 
(KBB)






Com que encanto veio a doce melodia
Que permitiu secar meu pranto e ver a luz do dia
Sentir alegria na escolha que um dia
A insegurança me atrelava e impedia.

Hoje não sou criança, mas sou menina moça
Que ainda se emociona com o rodopio da bailarina
Ao sentir  no peito a alegria da escolha
Hoje faço da rotina minha marina.

Com olhos abertos vejo tudo agora
Não mais tenho medo da escuridão lá fora
Pois aqui dentro é dia e terá um dia
Onde a luz é forte e não será mais fantasia.
(KBB)


 
Mulher em duas formas
Meiga e teatral
Com tantas roupas vestes
Que se esquece que é mortal
O que tens não te pertence
Só te pertence o que tu fazes
Por isso cuida bem  do que tu trazes
Deste mundo tão carnal
Para a tua alma imortal.
(KBB) 

Minha terra tem castelos, tem balões, tem andorinhas, tem um prado de violetas onde me perco todo dia ao saltar na poesia e me inebriar com a melodia das palavras tão pequenas que constroem minha harmonia.
  (KBB)





Bons Sonhos!




Um comentário:

maria disse...

Karla, essa catarse sentimental que conduz ao perdão, como um caminho para a reciclagem do lixo emocional seria o desejável para todos nós, seres humanos. Infelizmente somos tão imperfeitos que nos perdemos na nossa imperfeição e essa via fica por ela obstruída. Poucos são os seres humanos capazes de trilhar esse caminho, dotados da capacidade de perdoar tão sinceramente. Temo que, uns mais do que outros, todos continuemos a encher as nossas baterias de cargas negativas que continuarão a lançar-nos na escuridão e na doença.
A imagem da bailarina a dançar sobre o mundo fez-me sorrir...amiga, é a sua cara! Eu imagino assim a Karla, um espirito livre, sonhador, dentro e acima do mundo em busca da perfeição. Força amiga,assim a encontre.
Natália Correia, OK, uma sonhadora de mundos melhores e de sentimentos fortes.

beijos