sexta-feira, 6 de abril de 2012

Despedidas






Este post é uma homenagem a Elisandra, uma amiga que recentemente perdeu alguém que foi muito importante em sua vida.

Homenagens não trazem ninguém de volta, mas talvez ajudem a nós, os que ficamos, a compreender mais e aceitar melhor o que temos com consciência e certa sabedoria Universal. 



Alguém que amamos, ou conhecíamos, deixou de existir. Não ouviremos seu passo no corredor, sua voz ao telefone, não teremos longas conversas, não nos reuniremos em grupo de amigos, não contaremos façanhas ou fofocas ou queixas, não trocaremos e-mails. O endereço eletrônico inútil ainda nos espreita no computador, o que fazer? Deletar como se a gente deletasse uma vida?
Conforme Lia Luft, a morte, intrusa indesejada, sobre a qual tanto se fala, se pensa, se escreve, foi personagem de alguns de seus livros e causa de algumas incuráveis dores. Ela não pede licença: sem bater, escancara num repelão porta ou janela, entra num salto, com suas vestes cheirado a mofo e seus olhos de gato no escuro. Às vezes pega quem mais amamos. E aí não tem remédio, não tem descanso, não tem nada senão a dor — apesar da nossa natural dificuldade de lidar com ela, a dor é necessária nesses primeiros tempos. É preciso chegar ao fundo desse poço escuro para poder sair dele, ou ao menos ter a cabeça a tona d'água. Presenças bondosas, conforto de alguma palavra amiga, saber que os outros estão aí, que ajudam também nas coisas práticas, nos fazem sobreviver. Mas não queiram que a gente não sofra, mesmo nesta nossa cultura  do barulho e da agitação, em que no segundo dia já querem que a gente passe o batom e saia às compras. Não por maldade, mas por essa aflição que nos ataca diante do sofrimento alheio, em parte porque ele é uma ameaça à nossa vidinha bem-posta: seremos os próximos?





Não é fácil parar o tempo e conservar os momentos...
Se hoje fosse ontem, quando o frio não era de dor.
Se a escuridão fosse luz, embora a dor fosse o amor...
Se o dia fosse noite e a noite fosse dia...
Se nada aconteceu com tudo ao meu redor.
Se tudo o que vejo está tão diferente,
Tudo isso me leva fora do caminho?
Então, qual é o significado da tormenta,
Do desespero,  de ganhar...
Talvez apenas o suficiente para parar...
E amar e desfrutar.
Do que a vida nos oferece,
Dia após dia por um pouco a mais... Perdemos tanto.
Vamos redescobrir os pequenos gestos cotidianos...
Porque, se hoje fosse ontem...
Não necessariamente será amanhã. 




Elisandra (Fofa para os íntimos) que como eu adora poesia, deixou-me um texto...



Quanto tempo...
Quanto tempo resta para abraçar quem amamos.
Falar o quanto são importantes em nossas vidas.
Quanto tempo pra presenciar  um sorriso?
Conversar, namorar e fazer planos...
E quando o escuro chega aos nossos olhos, quando o silencio e o frio se une.
De que vale esse tempo?
É tão difícil amar, mas quando o amor chega não poderia ir embora.
Não deveria ser assim... Um ir e o outro ficar.
Porque leva junto metade do que somos. E agora?
Agora viver de lembranças é muita dor!
A luz apagou, mas ainda existe o amor.
Tão grande, tão forte que não te deixa raciocinar.
Onde estas? Pra onde foi? E Por que?
Indagações constantes, do acordar ao adormecer.
A vida segue os  dias...
E você perambula entre ruas de pensamentos
E segue junto com a vida, até amortecer.
Não há escolhas para o fim, ele chega e te deixa só.
 Leva repentinamente a rotina que existia
A alegria de um bom dia, e deixa em vão o eu te amo!
E esse ciclo da vida, que uns nascem e outros morrem,
E que todos tem o mesmo fim
Simplifica muito a vida.
Quando  o ciclo fica só na metade, normalidade?
Não há respostas e nem mensurações para o vazio que fica.
E o tempo? Carrega nos ombros o que foi um dia,
e nas mãos o que virá depois.
 (Elisandra de Campos)





Bons Sonhos!




2 comentários:

Daniela disse...

Lindo, lindo, lindo Karla. Suas palavras tocam a alma e o coração.

Adoraria ter a sua capacidade de tocar o coração dos outros mas esse dom foi apenas dado a alguns e você esta, com toda a certeza nesse pequeno grupo de pessoas.

Muito obrigada minha amiga por me fazeres recordar todos aqueles que ja não estão na minha vida mas que recordo com o coração a transbordar de saudade e amor.

Beijos Dani

maria disse...

Há alturas na vida que não existem palavras para expressar todo um sentir de dor em que tudo perde significado, o vazio é aterrador e a saudade começa logo ali, num antecipar de risos e afagos perdidos. Os amigos marcam a sua presença, estendem a mão e o abraço de conforto, para um caminho que será duro, até que o tempo, esse bendito tempo tão eclético, suavize a perda. Paz para a sua amiga Karla, coragem nessa travessia até que um dia volte a nascer um sorriso.