Este
post é uma homenagem a Elisandra, uma amiga que recentemente perdeu alguém que
foi muito importante em sua vida.
Homenagens
não trazem ninguém de volta, mas talvez ajudem a nós, os que ficamos, a
compreender mais e aceitar melhor o que temos com consciência e certa sabedoria Universal.
Alguém que amamos, ou conhecíamos, deixou
de existir. Não ouviremos seu passo no corredor, sua voz ao telefone, não
teremos longas conversas, não nos reuniremos em grupo de amigos, não contaremos
façanhas ou fofocas ou queixas, não trocaremos e-mails. O endereço eletrônico
inútil ainda nos espreita no computador, o que fazer? Deletar como se a gente
deletasse uma vida?
Conforme Lia Luft, a morte, intrusa indesejada, sobre a qual tanto se fala, se pensa, se escreve,
foi personagem de alguns de seus livros e causa de algumas incuráveis dores.
Ela não pede licença: sem bater, escancara num repelão porta ou janela, entra
num salto, com suas vestes cheirado a mofo e seus olhos de gato no escuro. Às
vezes pega quem mais amamos. E aí não tem remédio, não tem descanso, não tem
nada senão a dor — apesar da nossa natural dificuldade de lidar com ela, a dor
é necessária nesses primeiros tempos. É preciso chegar ao fundo desse poço
escuro para poder sair dele, ou ao menos ter a cabeça a tona d'água. Presenças
bondosas, conforto de alguma palavra amiga, saber que os outros estão aí, que
ajudam também nas coisas práticas, nos fazem sobreviver. Mas não queiram que a gente
não sofra, mesmo nesta nossa cultura do barulho e da agitação, em que no
segundo dia já querem que a gente passe o batom e saia às compras. Não por
maldade, mas por essa aflição que nos ataca diante do sofrimento alheio, em
parte porque ele é uma ameaça à nossa vidinha bem-posta: seremos os próximos?
Não é
fácil parar o tempo e conservar os momentos...
Se
hoje fosse ontem, quando o frio não era de dor.
Se a
escuridão fosse luz, embora a dor fosse o amor...
Se o
dia fosse noite e a noite fosse dia...
Se
nada aconteceu com tudo ao meu redor.
Se
tudo o que vejo está tão diferente,
Tudo
isso me leva fora do caminho?
Então,
qual é o significado da tormenta,
Do desespero,
de ganhar...
Talvez
apenas o suficiente para parar...
E
amar e desfrutar.
Do
que a vida nos oferece,
Dia
após dia por um pouco a mais... Perdemos tanto.
Vamos
redescobrir os pequenos gestos cotidianos...
Porque,
se hoje fosse ontem...
Não
necessariamente será amanhã.
Elisandra (Fofa para os íntimos) que como eu adora poesia, deixou-me um texto...
Quanto tempo...
Quanto tempo resta
para abraçar quem amamos.
Falar o quanto são
importantes em nossas vidas.
Quanto tempo pra
presenciar um sorriso?
Conversar, namorar e
fazer planos...
E quando o escuro
chega aos nossos olhos, quando o silencio e o frio se une.
De que vale esse
tempo?
É tão difícil amar,
mas quando o amor chega não poderia ir embora.
Não deveria ser assim...
Um ir e o outro ficar.
Porque leva junto
metade do que somos. E agora?
Agora viver de
lembranças é muita dor!
A luz apagou, mas
ainda existe o amor.
Tão grande, tão forte
que não te deixa raciocinar.
Onde estas? Pra onde
foi? E Por que?
Indagações constantes,
do acordar ao adormecer.
A vida segue os dias...
E você perambula
entre ruas de pensamentos
E segue junto com a
vida, até amortecer.
Não há escolhas para
o fim, ele chega e te deixa só.
Leva repentinamente a rotina que existia
A alegria de um bom
dia, e deixa em vão o eu te amo!
E esse ciclo da vida,
que uns nascem e outros morrem,
E que todos tem o
mesmo fim
Simplifica muito a
vida.
Quando o ciclo fica só na metade, normalidade?
Não há respostas e
nem mensurações para o vazio que fica.
E o tempo? Carrega nos
ombros o que foi um dia,
e nas mãos o que virá
depois.







2 comentários:
Lindo, lindo, lindo Karla. Suas palavras tocam a alma e o coração.
Adoraria ter a sua capacidade de tocar o coração dos outros mas esse dom foi apenas dado a alguns e você esta, com toda a certeza nesse pequeno grupo de pessoas.
Muito obrigada minha amiga por me fazeres recordar todos aqueles que ja não estão na minha vida mas que recordo com o coração a transbordar de saudade e amor.
Beijos Dani
Há alturas na vida que não existem palavras para expressar todo um sentir de dor em que tudo perde significado, o vazio é aterrador e a saudade começa logo ali, num antecipar de risos e afagos perdidos. Os amigos marcam a sua presença, estendem a mão e o abraço de conforto, para um caminho que será duro, até que o tempo, esse bendito tempo tão eclético, suavize a perda. Paz para a sua amiga Karla, coragem nessa travessia até que um dia volte a nascer um sorriso.
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