segunda-feira, 21 de maio de 2012

O Tempo e as Mudanças



A mais de dois mil anos atrás o filósofo Heráclito dizia: “a única coisa permanente é a mudança”. Foi extremamente inovador ao afirmar algo estranho para sua época: “O mundo é um fluxo perpétuo onde nada permanece idêntico a si mesmo, mas tudo se transforma no seu contrário. A luta é a harmonia dos contrários, responsável pela ordem racional do universo. A nossa experiência sensorial percebe o mundo como se tudo fosse estável e permanente, mas o pensamento sabe que nada permanece”. Ou seja, a mudança não é um fato isolado, simples, previsível. Ela é radical, aleatória, e muitas vezes, todo o contrário. Um conceito interessante de ação e reação. Não há como frear o tempo e nem como parar as mudanças só nos resta controlar a ansiedade gerada por esta situação.



Há muito tempo atrás, a ansiedade sempre me levou para a beira do precipício. Os julgamentos apressados, as precipitações nas tomadas de ação e julgamentos são reflexos de ansiedade.

Hoje procuro controlar este cavalo indômito. Com o tempo, aprendemos, seja por amor, seja pela dor, a encarar as várias realidades que nos cercam, nossa e dos outros, como diz o poema "Desiderata" - "Fale sua verdade, mansa e claramente e ouça dos outros, mesmo que dos insensatos e ignorantes, pois eles também têm sua própria história".  Não significa conformismo, mas sim, sensatez. Cada um tem sua própria história, aprender a ouvir, sem julgamentos. Tendo o coração por guia mostrará qual a atitude a ser tomada, seja por amor, seja pela dor...



O julgamento é uma prisão mental que não nos permite ver a riqueza das possibilidades a nossa volta. Quando olhamos para um lado, deixamos de ver o outro. É esse processo de escolha que define os resultados.




"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia. E, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos"
 (Fernando Pessoa).


Pobre tempo este em que o tempo não dá tempo.
Faz ter saudade do tempo em que tempo não tinha tempo.




São tantos momentos perdidos no tempo...Dispersos com a suavidade da brisa...


“... Não necessariamente criar os carneiros, pentear a lã, tingi-la e marcá-la – mas prazerosamente apossar-se de tudo o que está pronto e, com esse tempo poupado, ir muito longe”.  
Katherine Mansfield






Bons Sonhos!



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