A mais de
dois mil anos atrás o filósofo Heráclito dizia: “a única coisa permanente é a mudança”. Foi
extremamente inovador ao afirmar algo estranho para sua época: “O mundo é um
fluxo perpétuo onde nada permanece idêntico a si mesmo, mas tudo se transforma
no seu contrário. A luta é a harmonia dos contrários, responsável pela ordem
racional do universo. A nossa experiência sensorial percebe o mundo como se
tudo fosse estável e permanente, mas o pensamento sabe que nada permanece”.
Ou seja, a mudança não é um fato isolado, simples, previsível. Ela é radical,
aleatória, e muitas vezes, todo o contrário. Um conceito interessante de ação e
reação. Não há como frear o tempo e nem como parar as mudanças só nos resta
controlar a ansiedade gerada por esta situação.
Há muito
tempo atrás, a ansiedade sempre me levou para a beira do precipício. Os
julgamentos apressados, as precipitações nas tomadas de ação e julgamentos são
reflexos de ansiedade.
Hoje procuro
controlar este cavalo indômito. Com o tempo, aprendemos, seja por amor, seja
pela dor, a encarar as várias realidades que nos cercam, nossa e dos outros,
como diz o poema "Desiderata" - "Fale sua verdade, mansa e
claramente e ouça dos outros, mesmo que dos insensatos e ignorantes, pois eles
também têm sua própria história". Não significa
conformismo, mas sim, sensatez. Cada um tem sua própria história, aprender a
ouvir, sem julgamentos. Tendo o coração por guia mostrará qual a atitude a ser
tomada, seja por amor, seja pela dor...
O julgamento é uma prisão mental que não nos permite ver a riqueza das
possibilidades a nossa volta. Quando olhamos para um lado, deixamos de ver o
outro. É esse processo de escolha que define os resultados.
"Há
um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do
nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos
lugares. É o tempo da travessia. E, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado,
para sempre, à margem de nós mesmos"
(Fernando Pessoa).
Pobre tempo
este em que o tempo não dá tempo.
Faz ter
saudade do tempo em que tempo não tinha tempo.
São tantos momentos perdidos no tempo...Dispersos com a suavidade da brisa...
“... Não necessariamente criar os
carneiros, pentear a lã, tingi-la e marcá-la – mas prazerosamente apossar-se de
tudo o que está pronto e, com esse tempo poupado, ir muito longe”.
Katherine Mansfield
Bons Sonhos!







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