quinta-feira, 26 de abril de 2012

O Semeador de Estrelas




Na Lituânia, em uma cidade chamada Kaunas, em uma velha praça existe uma antiga estátua de bronze que durante o dia passa despercebida, não se destaca ou chama atenção. Mas, à noite e com o facho de luz sobre ela, é possível ver as estrelas cintilando e flutuando no espaço, nos dá a impressão de que o homem semeia, com a mão direita, enquanto que, com a esquerda, segura o embornal onde, presume-se, contém outras estrelas. A estátua encanta pela transformação, sejam moradores locais, de outras cidades e, até mesmo, turistas que todos os dias chegam à Lituânia e visitam Kaunas.
A estátua originalmente chamava-se O Semeador e um artista resolveu inovar criando um grafite que acrescentou as estrelas e deu nova simbologia a tudo.








Diversas situações em nossa vida se revelam completamente diferentes se observadas com outro ponto de vista. Em uma primeira percepção interpretamos as coisas apenas a luz do momento o que pode promover uma compreensão incompleta. A capacidade de desmistificar e entender verdades ocultas  seja de caráter ou de situação, despertando um sentido igual à capacidade para discernir a verdadeira natureza de uma situação, ou alcançar a íntima e oculta natureza das coisas de forma intuitiva, é essencial para o desenvolvimento do ser humano. Aceitar que o que vemos é uma parte e não o todo é um caminho para a sabedoria. O mundo pode ensinar ao sábio tanto como pode destruir o tolo.





Hoje não sei se pelo tempo, ou se por ter um pouco mais de experiência para conviver com as pessoas que me cercam, me dei conta dos labirintos que percorremos com caminhos, às vezes fáceis, mas na maioria, tortuosos; e como essa percepção desperta a incômoda sensação de impotência frente ao mais variados desafios. Acabamos agindo como se conhecêssemos os outros, quando na verdade, estamos agindo por impulso frente ao desconhecido, por não termos a mínima noção do grau de confiabilidade ou da intenção do outro. Agimos como se tivéssemos controle sobre o ambiente à nossa volta, ingenuamente ignorando que, na verdade, estamos sendo conduzido pelo tempo, resultante de milhões de informações que desconhecemos.





Na verdade, somos uma só alma, tu e eu.
Mostramo-nos e nos escondemos tu em mim, eu em ti.
Eis aqui o sentido profundo de minha relação contigo,
porque não existe, entre tu e eu, nem eu, nem tu...

...Só podes ver o vermelho, o verde e o escarlate
a menos que primeiro vejas a luz.
Quando tua vista é ofuscada por cores,
Essas cores velam de ti a luz.
Mas quando a noite vela essa cores de ti,
Percebes que só são vistas por meio da luz.

Poemas de Rumi – poeta Sufi da pérsia Antiga






Amadurecer...
O pensar se torna ardente.
O olhar com expressão falante.
A mente não mente e segue adiante.
A gente sente e de repente segue em frente.
(KBB)






As dúvidas ocuparam tantos espaços em mim... Tentei compreender os mistérios da vida, da existência humana, porquê tudo acontece, carma, destino, o bem e o mau. Pensei muito sobre as partidas e chegadas, encontros e desencontros da vida. Quis fazer as coisas diferentes  para ver se mudava o que conhecia. Quis entender o Universo e tudo o que me cercava, mas aprendi com o tempo que é melhor não tentar entender tudo, mas compreender o que nos é dado por Deus. Ser grata por tudo que recebemos tudo é perfeito, independente de como aconteça, mesmo que não seja do modo que queremos, mas tudo é perfeito, pois é assim que deveria ser.







Bons Sonh






domingo, 15 de abril de 2012

Contrapontos da Leitura




Sabe gosto muito de ouvir, também gosto muito de ler, e sinto que viver é como ler, a leitura ultrapassa as pequenas e as grandes coisas. As palavras, por vezes, são carícias, outras vezes são alimentos da memória e com vivência dão sentido a tudo. Após lutarmos por uma idéia ou após uma discussão podemos perceber que o sentimento é um exercício depurativo do verdadeiro sentido das palavras.
Frases em um livro podem ser como o arco-íris tão crível, que reforçam a impressão favorável, apresentando o aconchego do porto seguro em qualquer leitor. Mesmo quando traz uma dura e cruel realidade, o papel representa um segundo plano mesmo que de dor. 
Que contentamento aquele momento tão só nosso onde ao virar uma página temos a ilusão de controlar o destino e dar seqüência a tragédias ou a alegrias com a velocidade que queremos. Gozar um momento de glória em um intervalo por nós determinado. Felicidade pura que só uma criança pode ter.






Tal como sombras ao cair da noite, os pensamentos escorrem em uma explosão, sem controle.
Forma e ordem indefinidas em uma cascata turbulenta.
Arte difícil esta a de dominar a mente.
Quão fácil são os ditados ocos, frases prontas e amigas, com conselhos embutidos.
Seja firme, tenha controle, não permita que suas emoções te roubem a razão. Risos, muitos risos me sufocam e gritar se torna meta definida, pois minha alma sente que a única ordem da mente advém do livre sentimento de paz só almejado com a liberdade dos meus sentimentos.



Mesmo que eu lesse todos os livros do mundo, o seu tudo não me bastaria, porque só por si eles nada são.
Compreender e vivenciar faz parte desta roda viva que me faz sonhar.
 Sozinhos os livros carecem de entendimento e sentido.
 Posso dizer que eles geram muito trabalho, promovendo uma onda gigante, devastadora geradora da partilha, em que o segredo desvelado se revela ao coletivo.
Então escrevo.





Veja o mundo e sinta o todo que te habita.
Veja a lua e a claridade que sua luminosidade replica.
Tal como o algo que faz parte do todo,
Não venhas com desculpa,
Meios termos ou com silêncio atroz.
Basta de desculpas,
A vida não suporta meios termos.
Como o luar refletido na folhagem em noite escura,
A verdade sempre se liberta mesmo presa na mentira.
Ela se agita e brota violentamente derrubando paredes, teto e chão.
Não construas o falso sobre o verdadeiro, não soterre o que a inocência te cedeu.
Não se esconda da vida, não tenha medo
Liberdade não importa se o coração for sempre prisioneiro.


Ler um bom livro é ter um terreno plano para edificar uma bela construção.Aqueles que já descobriram o prazer da leitura, o gosto de imaginar personagem, paisagem, como nossos. de voltar a página para emocionar-se de novo com aquelas cenas mais tocantes que se iluminam com a pincelada do leitor, jamais abrirão mão dessa "viagem" maravilhosa. É uma enfermidade que, uma vez contraída, não tem mais cura. É um prazer interminável que se desvela aos poucos e toma conta de todo o seu ser; Uma leitura sempre remete a outra vivência e a vida torna-se tão curta para tanto livro esperando para ser lido.



Bons sonhos!





quinta-feira, 12 de abril de 2012

Aprendendo a Crescer


A construção de um navio parece com a formação das pessoas. Durante a gestação o casco é construído, até que somos lançados ao mar. A maior parte de um navio é colocada depois, como acontece com a gente. Camarotes, porões, motores, pinturas, enfeites são acrescentados durante a infância e adolescência, até o navio ficar pronto para a primeira viagem. Um navio fica pronto quando sai do estaleiro, mas com a gente é diferente - e este é o desafio de cada um, pois crescemos todo dia e nunca ficamos prontos.
Apesar disso é preciso partir... Mas nem todos têm a coragem de ir e continuam atracados ao cais, julgando-se incapazes de navegar sozinhos. Algumas pessoas são obrigadas a zarpar, já que os encargos de segurança do porto tornam-se pesados demais e, às vezes, perdem um tempo precioso da viagem revoltadas e lamentando-se por tudo isso... Mas nem todo mundo é assim...
Alguns mal o dia amanhece, já partiram. Parecem muito ocupados e logo somem no horizonte. Desde cedo sabem o que querem e têm pressa de viver. Outros navios também saem logo que podem, mas ficam dando voltas e mais voltas sem chegar a lugar algum. Acabam navegando só para comprar mais combustível todo dia, e o que ganham mal dá para a reforma do casco...
Os maiores desperdiçadores de seus próprios recursos são aqueles que não sabem o que querem... E o pior é que, quando a gente não sabe direito o que espera do rumo que está tomando ou nem se tem um rumo, não pode corrigir a rota se estiver no caminho errado... Nós somos os maiores responsáveis pelas tempestades que não conseguimos evitar.
Já outras pessoas deixam de navegar milhares de milhas para se conformarem com umas poucas centenas, porque tem medo de atrair ventos contrários ou então querem agradar ou impressionar alguém... A gente não deve aceitar isso, pois significa concordar em ser menos do que pode ser. Todo dia é dia de evolução e aprendizado e, como a lua cheia, quando paramos de crescer, começamos a diminuir.
Então a primeira coisa a fazer é tornar-se comandante de si próprio e isso equivale a pensar com a própria cabeça, serem timão e timoneiro, assumindo riscos pelos erros, pois só erram os que têm a coragem para ousar e, se caírem, levantar e tentar de novo-sempre... Pois ninguém sabe nossa autonomia no mar, nossa capacidade de carga, ou a que velocidade pode singrar as águas dos oceanos, sejam azuis ou escuras.
Ninguém nos conhece melhor que nos mesmos e, por mais que digam o que temos - ou não temos - que fazer, ninguém pode viver a vida no nosso lugar. Outras pessoas, ainda, vivem frustradas e infelizes porque não conseguem ter as mesmas coisas que viram em outro navio. Algumas também vivem furiosas quando alguma coisa ou alguém não age ou sai como gostariam. O amor a si próprio e ao próximo é um exercício diário para saber a diferença entre o que precisa ser mudado e o que devemos aceitar como é.
Muita gente tem preferido impor suas idéias e opiniões em vez de escutar o outro; ficar revoltada com o mundo, em vez de admirar a vida, pois não sabem o que é amar. E tem viajantes que pensam no amor como algo a ser obtido, como se fosse um objeto e não como uma arte que precisa ser aprendida. Alguns acabam confundindo o amor, Deus ou a felicidade com o significado de suas rotas, e vivem frustradas navegando atrás do que não conseguem alcançar - e até desistem no meio do caminho, desalentados, achando que a vida não vale à pena, que Deus não existe e felicidade e amor são balelas... Mas Deus, felicidade, amor, bondade não são lugares ou coisas que possam ser possuídos.
A primeira coisa a fazer para quem quer encontrar estes bens é não procurar! Quando procuramos o que não é um lugar ou objeto, e que muito menos está escondido, quem fica perdido somos nós mesmos. Mas quando não procuramos, porque não pode ser encontrado fora de nós, descobrimos que o que tanto queremos - Deus, felicidade, paz - habita camarotes no coração do nosso próprio navio... E tem pessoas tão preocupadas em procurar do lado de fora que até se esquecem de olhar por dentro!...
Não existe navio que não tem passado por tempestades e muitos afundam por não saberem evitá-las, por falta de comunicação ou por acharem que não precisam dos outros. Somos fortes quando unidos. Juntos é tão grandes e poderosos quanto a onda mais forte e ameaçadora. Perdoar as falhas e limitações de nossos semelhantes é muito mais que amor ou virtude - é questão de inteligência e sobrevivência... Pois a única coisa que possuímos de verdade é a necessidade do outro.
Mas não existem tempestades que durem para sempre, assim como os dias de sol também não são permanentes. Dor e frustrações muitas vezes é resultado de querermos perpetuar momentos de prazer, bem-estar, alegria, que por si só são efêmeros e com que facilidade esquecemos que nada é eterno - a não ser o próprio movimento - e que, por isso, momentos de alegria se alternam com momentos de tristeza, dor se alterna com prazer, fome com saciedade, doença com saúde - um sempre dando lugar ao outro.
Quando a gente pára de tentar lutar contra isso e se abandona nesse jogo delicioso da vida, descobrimos que, acima de tudo, a vida vale a pena ser vivida intensamente.
(Metáfora popular)


Como é difícil, na realidade,  as sucessivas passagens de ovo a lagarta, desta a crisálida, e,  finalmente, como por magia irromper no céu azul, sentir a melodia do vento, a dança das folhas, a cadência da alvorada aproveitando o tempo em uma corrida alucinada Linda borboleta,  voar sabendo que, ao sair em liberdade têm tão pouco tempo. Mas a natureza faz deste curto tempo um completo ciclo de mudança para vôos partilhados com raios de luz.
Transformação requer grande capacidade e desejo em desprender-se do passado e estar completamente aberto para algo novo. A vida é uma experiência de constante transformação. A velha frase: nada se cria e tudo se transforma é o que perceberemos claramente se observarmos o movimento da vida como expectador. A palavra transformação pode soar para muitos como algo que represente um esforço muito difícil, mas aqui poderíamos associá-la a promover novidade. Promover novidade é algo que realmente apreciamos. Então, para qualquer transformação que desejemos, podemos nomeá-la “promover novidade” e isso dará um sabor interessante a esse processo.







Eu olho a minha volta.
Está vazio, sem formas, sem quadros,
Espaços em branco se prolongam no tempo.
O tempo não nos dá paisagens. .
Homens, mulheres, crianças,...
Como em um cartão para definir as horas.
Sento-me neste espaço.
Gostaria de ouvir através dos tantos momentos.
 Às vezes parece. que existe algum tipo de rachadura...
Mas... Então tudo está igual...
Eu olho para estes momentos... Eu procuro por uma cor ..
Ninguém é apropriado. Apenas cinza.
Horário  infinito... Sorriso sem viço...
Avanços das rugas.
(KBB)



Bons sonhos!


sexta-feira, 6 de abril de 2012

Despedidas






Este post é uma homenagem a Elisandra, uma amiga que recentemente perdeu alguém que foi muito importante em sua vida.

Homenagens não trazem ninguém de volta, mas talvez ajudem a nós, os que ficamos, a compreender mais e aceitar melhor o que temos com consciência e certa sabedoria Universal. 



Alguém que amamos, ou conhecíamos, deixou de existir. Não ouviremos seu passo no corredor, sua voz ao telefone, não teremos longas conversas, não nos reuniremos em grupo de amigos, não contaremos façanhas ou fofocas ou queixas, não trocaremos e-mails. O endereço eletrônico inútil ainda nos espreita no computador, o que fazer? Deletar como se a gente deletasse uma vida?
Conforme Lia Luft, a morte, intrusa indesejada, sobre a qual tanto se fala, se pensa, se escreve, foi personagem de alguns de seus livros e causa de algumas incuráveis dores. Ela não pede licença: sem bater, escancara num repelão porta ou janela, entra num salto, com suas vestes cheirado a mofo e seus olhos de gato no escuro. Às vezes pega quem mais amamos. E aí não tem remédio, não tem descanso, não tem nada senão a dor — apesar da nossa natural dificuldade de lidar com ela, a dor é necessária nesses primeiros tempos. É preciso chegar ao fundo desse poço escuro para poder sair dele, ou ao menos ter a cabeça a tona d'água. Presenças bondosas, conforto de alguma palavra amiga, saber que os outros estão aí, que ajudam também nas coisas práticas, nos fazem sobreviver. Mas não queiram que a gente não sofra, mesmo nesta nossa cultura  do barulho e da agitação, em que no segundo dia já querem que a gente passe o batom e saia às compras. Não por maldade, mas por essa aflição que nos ataca diante do sofrimento alheio, em parte porque ele é uma ameaça à nossa vidinha bem-posta: seremos os próximos?





Não é fácil parar o tempo e conservar os momentos...
Se hoje fosse ontem, quando o frio não era de dor.
Se a escuridão fosse luz, embora a dor fosse o amor...
Se o dia fosse noite e a noite fosse dia...
Se nada aconteceu com tudo ao meu redor.
Se tudo o que vejo está tão diferente,
Tudo isso me leva fora do caminho?
Então, qual é o significado da tormenta,
Do desespero,  de ganhar...
Talvez apenas o suficiente para parar...
E amar e desfrutar.
Do que a vida nos oferece,
Dia após dia por um pouco a mais... Perdemos tanto.
Vamos redescobrir os pequenos gestos cotidianos...
Porque, se hoje fosse ontem...
Não necessariamente será amanhã. 




Elisandra (Fofa para os íntimos) que como eu adora poesia, deixou-me um texto...



Quanto tempo...
Quanto tempo resta para abraçar quem amamos.
Falar o quanto são importantes em nossas vidas.
Quanto tempo pra presenciar  um sorriso?
Conversar, namorar e fazer planos...
E quando o escuro chega aos nossos olhos, quando o silencio e o frio se une.
De que vale esse tempo?
É tão difícil amar, mas quando o amor chega não poderia ir embora.
Não deveria ser assim... Um ir e o outro ficar.
Porque leva junto metade do que somos. E agora?
Agora viver de lembranças é muita dor!
A luz apagou, mas ainda existe o amor.
Tão grande, tão forte que não te deixa raciocinar.
Onde estas? Pra onde foi? E Por que?
Indagações constantes, do acordar ao adormecer.
A vida segue os  dias...
E você perambula entre ruas de pensamentos
E segue junto com a vida, até amortecer.
Não há escolhas para o fim, ele chega e te deixa só.
 Leva repentinamente a rotina que existia
A alegria de um bom dia, e deixa em vão o eu te amo!
E esse ciclo da vida, que uns nascem e outros morrem,
E que todos tem o mesmo fim
Simplifica muito a vida.
Quando  o ciclo fica só na metade, normalidade?
Não há respostas e nem mensurações para o vazio que fica.
E o tempo? Carrega nos ombros o que foi um dia,
e nas mãos o que virá depois.
 (Elisandra de Campos)





Bons Sonhos!




Sensibilidade






Porque somente a sensibilidade entende o amor, e o amor, ora o amor é muito importante!
Tiburi em suas colocações diz que nossa sensibilidade pode ser mais bruta ou mais elaborada. Podemos, entretanto,dizer que alguém não tem sensibilidade. Neste caso, nos referimos às pessoas que denominamos de “frias” e que, em geral, pensamos ser aquelas que fazem um uso mais assíduo da razão.
Usamos a metáfora da frieza em oposição à outra bem conhecida, a que se refere ao calor dos sentimentos. Assim expressamos que sentimentos aproximam, enquanto a razão afasta; eles aconchegam, enquanto ela põe limites. O sentimento é, por sua vez, o mais íntimo de cada um, algo que não se pode comunicar, por isso, os artistas procuram “expressões” para eles. O esforço de compreensão dos sentimentos é sempre poético e intuitivo.






O coração tem uma morte lenta.
 Perde toda a esperança como folhas.
Até que um dia não existem mais. 
Sem esperança. Não há mais nada.
Se uma árvore não tem folhas e galhos, você pode até chamá-la de uma árvore?
Ela pinta o rosto para esconder o rosto.
Seus olhos são águas profundas.
Uma gueixa não desejar.
Uma Gueixa tentar não ter sentimentos.
A gueixa é uma artista do mundo flutuante.
Dança.
Canta.
diverte você.
Tudo o que você quiser.
O resto é sombra.
O resto é segredo.
Você não pode dizer ao sol "mais sol".
Ou a chuva" menos chuvas. “
Para um homem, uma gueixa só pode ser uma parteira. Nós somos as esposas do crepúsculo.
Mas aprender bondade após a bondade tão pouco, entender como uma menina com mais coragem do que eles pensam, ver suas orações respondidas, não pode ser chamado de felicidade?
Afinal de contas, estas não são as memórias de uma imperatriz nem de uma rainha. São memórias... de outro tipo.
          Do filme "Memórias de uma Gueixa"




Escrevo porque no meu mundo, quero demais, exijo demais, há em mim uma sede de conhecimento, uma busca pelo infinito, uma angústia constante que nem eu mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma entusiasta, com uma alma intensa a procura de respostas. Eu gosto de escrever, mexer nas palavras, com a sensibilidade dos poetas, tocá-las na sua profundidade, para tentar  atenuar com as palavras arrancadas do sentimento, as dores que algumas delas provocam na alma.
                                  (KBB)





A maioria pensa com a sensibilidade, eu sinto com o pensamento. Para o homem vulgar, sentir é viver e pensar é saber viver. Para mim, pensar é viver e sentir não é mais que o alimento de pensar.
(Fernando Pessoa)



Vou seguindo as luzes do caminho, ora escuras, ora fracas, simplesmente sentindo a luz, porque ao permitir essa sensibilidade, permiti que me fosse mostrado por onde tinha de ir, e assim confiar, que por ali é o caminho, por mais despropositado que pareça, por mais medo que cause, e perante isto, com o compromisso que reafirmo todos os dias, o caminho é mesmo esse!
(KBB)


Bons sonhos!





domingo, 1 de abril de 2012

Renascimento



O lixo emocional acumulado pode provocar competições, invejas e mágoas
"Portanto, se trouxestes a tua oferta ao altar, e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai reconciliar-te primeiro com teu irmão e, depois, vem e apresenta a tua oferta"
(Mt 5:23-24).
Sabemos que o lixo deve ser jogado no lixo. E que, quando acumulado, pode causar danos à nossa saúde física. Mas na vida psicológica, nos nossos relacionamentos, não fomos ensinados, não treinamos como podemos jogar o lixo psicológico fora .
Acumulamos a "sujeira emocional" e, por causa disso, a convivência vai ficando difícil ou até mesmo insuportável. Aquilo que nos incomoda não é dito, não é confessado. Procuramos fingir que esquecemos, ou que está "tudo bem", quando não está. Esse lixo emocional acumulado pode provocar competições, invejas, coalizões, mágoas, ofensas, distorções maldosas, implicâncias, rótulos infelizes.
Segundo Fábio Damasceno, do mesmo modo que a natureza física necessita de interação e renovação para manter o equilíbrio do sistema e a qualidade de vida, a nossa vida psicológica também precisa dessa dinâmica para viver bem, para alcançar a maturidade e realizar-se na expressão do seu potencial. Para tanto, a usina de reciclagem do lixo psicológico, a parte fundamental neste ecossistema, é o perdão.
Mas o perdão como agente de cura interior, como um ato de livre arbítrio, como escolha, como opção. Escolher perdoar poderá desencadear crescimento e desenvolvimento espiritual, bem como amadurecimento psicológico. Se a pessoa escolhe não perdoar, ninguém poderá convencê-la do contrário, e sérias conseqüências poderão acontecer na vida desta pessoa, na estrutura da sua alma, onde estão suas vivências, cicatrizes, problemas, traumas, enfim toda a sua história.
Damasceno diz que o perdão é a cirurgia plástica que fazemos em nossa alma para remover as marcas do passado. Colocando o perdão como ato de escolha, o importante é querer perdoar, independente do sentimento, do intelecto e da vontade. Quando decidimos querer perdoar, já iniciamos o processo de cura interior. Resistir a liberar o perdão é algo que causa danos,às vezes, irreversíveis à saúde.
Esta resistência, às vezes, se fundamenta na gravidade dos fatos ocorridos. Para isso, o processo de cura interior baseia-se no fato de que não importa o que fizeram, mas o que você fez com o que fizeram a você. Para que possamos perdoar, de fato, é necessário deixar vir à tona o que os outros fizeram contra a gente e, então, decidir o que fazer com aqueles lixos e aqueles subprodutos de raiva e dor.
O autor ensina como atingir a cura: consiste em decidir liberar o perdão, cujo ponto inicial é a dor, a mágoa. É preciso falar, chorar, lembrar, quantas vezes for necessário, das dores, humilhações que deixaram tatuagens profundas, expressar os sentimentos, rasgar o coração. É natural, nesta etapa, sentir raiva, tristeza, indignação, amor próprio ferido. Depois, cada vez que isso volta à sua mente, e você persiste, liberando o perdão, você estará num nível diferente de aceitação e compreensão, como se estivesse subindo uma espiral, até chegar ao ponto final: a ferida cicatrizada. Os sentimentos se esgotam dentro do processo sarador. Você se lembra de tudo, mas não dói mais.
O que considero muito importante neste processo é que a liberação do perdão faz diferença, não para o perdoado, mas para aquele que perdoou. Assim, você pode perdoar uma pessoa que nem mesmo se arrependeu do que fez. Considero este processo fundamental para a prevenção de doenças psicossomá-ticas e para a qualidade nas relações interpessoais. Na família e no trabalho, muitas pessoas se evitam ou, quando se encontram, sentem aquele friozinho na barriga devido a ressentimentos por experiências dolorosas do passado. Tudo isso pode ser curado dentro de cada um de nós, sendo benéfico para a saúde física, emocional e espiritual. Dê atenção a você! 
 
Texto de Drª Kátia Ricardi de Abreu




É tão simples ser criança
Com candura encontrar a noite
Tendo como amiga a luz da esperança
É tão simples ser criança
Ver no mundo tanta loucura
E acreditar na mudança
Triste fim o da infância
Pois como adulto põe fim a magia e constrói a desconfiança.
(KBB) 

 
Nesta breve jornada de infante a menina
Ganhei coragem, propósito e destino.
Tantas vezes em meu caminho
Ora parei, ora tomei atalhos que me afastavam e iludiam
Mas ao fim da breve trilha, percebia meu engano
E com face desejosa esperava um novo dia.
Então o tempo, grande algoz da eternidade,
Como Chronos me engoliu e acabou-se o tempo da mocidade. 
(KBB)




Frio molde que contêm e que impõem.
Toda junta massa humana como algoz.
A sua vez, um por um todos perdem sua voz.

Originalidade tem um preço, custa muito estar só
Relega-se o diferente, só se vê o preto e o branco
O tom cinza só existe no molde do concreto
Que rotula o igual como correto. 
(KBB)






Com que encanto veio a doce melodia
Que permitiu secar meu pranto e ver a luz do dia
Sentir alegria na escolha que um dia
A insegurança me atrelava e impedia.

Hoje não sou criança, mas sou menina moça
Que ainda se emociona com o rodopio da bailarina
Ao sentir  no peito a alegria da escolha
Hoje faço da rotina minha marina.

Com olhos abertos vejo tudo agora
Não mais tenho medo da escuridão lá fora
Pois aqui dentro é dia e terá um dia
Onde a luz é forte e não será mais fantasia.
(KBB)


 
Mulher em duas formas
Meiga e teatral
Com tantas roupas vestes
Que se esquece que é mortal
O que tens não te pertence
Só te pertence o que tu fazes
Por isso cuida bem  do que tu trazes
Deste mundo tão carnal
Para a tua alma imortal.
(KBB) 

Minha terra tem castelos, tem balões, tem andorinhas, tem um prado de violetas onde me perco todo dia ao saltar na poesia e me inebriar com a melodia das palavras tão pequenas que constroem minha harmonia.
  (KBB)





Bons Sonhos!