quinta-feira, 12 de abril de 2012

Aprendendo a Crescer


A construção de um navio parece com a formação das pessoas. Durante a gestação o casco é construído, até que somos lançados ao mar. A maior parte de um navio é colocada depois, como acontece com a gente. Camarotes, porões, motores, pinturas, enfeites são acrescentados durante a infância e adolescência, até o navio ficar pronto para a primeira viagem. Um navio fica pronto quando sai do estaleiro, mas com a gente é diferente - e este é o desafio de cada um, pois crescemos todo dia e nunca ficamos prontos.
Apesar disso é preciso partir... Mas nem todos têm a coragem de ir e continuam atracados ao cais, julgando-se incapazes de navegar sozinhos. Algumas pessoas são obrigadas a zarpar, já que os encargos de segurança do porto tornam-se pesados demais e, às vezes, perdem um tempo precioso da viagem revoltadas e lamentando-se por tudo isso... Mas nem todo mundo é assim...
Alguns mal o dia amanhece, já partiram. Parecem muito ocupados e logo somem no horizonte. Desde cedo sabem o que querem e têm pressa de viver. Outros navios também saem logo que podem, mas ficam dando voltas e mais voltas sem chegar a lugar algum. Acabam navegando só para comprar mais combustível todo dia, e o que ganham mal dá para a reforma do casco...
Os maiores desperdiçadores de seus próprios recursos são aqueles que não sabem o que querem... E o pior é que, quando a gente não sabe direito o que espera do rumo que está tomando ou nem se tem um rumo, não pode corrigir a rota se estiver no caminho errado... Nós somos os maiores responsáveis pelas tempestades que não conseguimos evitar.
Já outras pessoas deixam de navegar milhares de milhas para se conformarem com umas poucas centenas, porque tem medo de atrair ventos contrários ou então querem agradar ou impressionar alguém... A gente não deve aceitar isso, pois significa concordar em ser menos do que pode ser. Todo dia é dia de evolução e aprendizado e, como a lua cheia, quando paramos de crescer, começamos a diminuir.
Então a primeira coisa a fazer é tornar-se comandante de si próprio e isso equivale a pensar com a própria cabeça, serem timão e timoneiro, assumindo riscos pelos erros, pois só erram os que têm a coragem para ousar e, se caírem, levantar e tentar de novo-sempre... Pois ninguém sabe nossa autonomia no mar, nossa capacidade de carga, ou a que velocidade pode singrar as águas dos oceanos, sejam azuis ou escuras.
Ninguém nos conhece melhor que nos mesmos e, por mais que digam o que temos - ou não temos - que fazer, ninguém pode viver a vida no nosso lugar. Outras pessoas, ainda, vivem frustradas e infelizes porque não conseguem ter as mesmas coisas que viram em outro navio. Algumas também vivem furiosas quando alguma coisa ou alguém não age ou sai como gostariam. O amor a si próprio e ao próximo é um exercício diário para saber a diferença entre o que precisa ser mudado e o que devemos aceitar como é.
Muita gente tem preferido impor suas idéias e opiniões em vez de escutar o outro; ficar revoltada com o mundo, em vez de admirar a vida, pois não sabem o que é amar. E tem viajantes que pensam no amor como algo a ser obtido, como se fosse um objeto e não como uma arte que precisa ser aprendida. Alguns acabam confundindo o amor, Deus ou a felicidade com o significado de suas rotas, e vivem frustradas navegando atrás do que não conseguem alcançar - e até desistem no meio do caminho, desalentados, achando que a vida não vale à pena, que Deus não existe e felicidade e amor são balelas... Mas Deus, felicidade, amor, bondade não são lugares ou coisas que possam ser possuídos.
A primeira coisa a fazer para quem quer encontrar estes bens é não procurar! Quando procuramos o que não é um lugar ou objeto, e que muito menos está escondido, quem fica perdido somos nós mesmos. Mas quando não procuramos, porque não pode ser encontrado fora de nós, descobrimos que o que tanto queremos - Deus, felicidade, paz - habita camarotes no coração do nosso próprio navio... E tem pessoas tão preocupadas em procurar do lado de fora que até se esquecem de olhar por dentro!...
Não existe navio que não tem passado por tempestades e muitos afundam por não saberem evitá-las, por falta de comunicação ou por acharem que não precisam dos outros. Somos fortes quando unidos. Juntos é tão grandes e poderosos quanto a onda mais forte e ameaçadora. Perdoar as falhas e limitações de nossos semelhantes é muito mais que amor ou virtude - é questão de inteligência e sobrevivência... Pois a única coisa que possuímos de verdade é a necessidade do outro.
Mas não existem tempestades que durem para sempre, assim como os dias de sol também não são permanentes. Dor e frustrações muitas vezes é resultado de querermos perpetuar momentos de prazer, bem-estar, alegria, que por si só são efêmeros e com que facilidade esquecemos que nada é eterno - a não ser o próprio movimento - e que, por isso, momentos de alegria se alternam com momentos de tristeza, dor se alterna com prazer, fome com saciedade, doença com saúde - um sempre dando lugar ao outro.
Quando a gente pára de tentar lutar contra isso e se abandona nesse jogo delicioso da vida, descobrimos que, acima de tudo, a vida vale a pena ser vivida intensamente.
(Metáfora popular)


Como é difícil, na realidade,  as sucessivas passagens de ovo a lagarta, desta a crisálida, e,  finalmente, como por magia irromper no céu azul, sentir a melodia do vento, a dança das folhas, a cadência da alvorada aproveitando o tempo em uma corrida alucinada Linda borboleta,  voar sabendo que, ao sair em liberdade têm tão pouco tempo. Mas a natureza faz deste curto tempo um completo ciclo de mudança para vôos partilhados com raios de luz.
Transformação requer grande capacidade e desejo em desprender-se do passado e estar completamente aberto para algo novo. A vida é uma experiência de constante transformação. A velha frase: nada se cria e tudo se transforma é o que perceberemos claramente se observarmos o movimento da vida como expectador. A palavra transformação pode soar para muitos como algo que represente um esforço muito difícil, mas aqui poderíamos associá-la a promover novidade. Promover novidade é algo que realmente apreciamos. Então, para qualquer transformação que desejemos, podemos nomeá-la “promover novidade” e isso dará um sabor interessante a esse processo.







Eu olho a minha volta.
Está vazio, sem formas, sem quadros,
Espaços em branco se prolongam no tempo.
O tempo não nos dá paisagens. .
Homens, mulheres, crianças,...
Como em um cartão para definir as horas.
Sento-me neste espaço.
Gostaria de ouvir através dos tantos momentos.
 Às vezes parece. que existe algum tipo de rachadura...
Mas... Então tudo está igual...
Eu olho para estes momentos... Eu procuro por uma cor ..
Ninguém é apropriado. Apenas cinza.
Horário  infinito... Sorriso sem viço...
Avanços das rugas.
(KBB)



Bons sonhos!


3 comentários:

maria disse...

AAAIIIIiii, há tanto tempo que eu não ouvia esta canção maravilhosa. Ouvi-a a pela primeira vez na novela O Pantanal e sempre a achei uma melodia lindíssima, quer a letra quer a interpretação, quer o contexto em que era inserida: o fantástico ecossistema do pantanal. Esta interpretação da Maria Betânia não conhecia, mas ....continua excelente, muito condizente com o seu post. Este vou ter que reler com mais calma e deixar que as palavras entrem e surtam o seu efeito, porque a mensagem é profunda. Logo volto (mas que vício se está a tornar este blog!), porque, agora, vou deliciar os meus ouvidos, mais uma vez, com esta bela canção! Obrigada Karla por este momento!

Ja disse...

Karlinha, adoro sua delicadeza ao escrever..
Obrigada por partilhar conosco sentimentos que nos dão o que refletir...
Mil bjks...

maria disse...

Eu tive que regressar. A metáfora do barco meteu-se comigo; ela é tão real que uma imagem se plasmou na minha mente e não quer sair. Um mar azul, redondo, imenso, pejado de barcos, uns correndo a toda a vela, outros boiando ao sabor das ondas que batem suavemente no casco, outros entupindo as largadas e outros ferozmente atracados no cais. Nesta viagem, a questão que logo me acometeu foi " Onde estará o meu barco?; Chegou a sair?; Voga tranquilo nas águas disfrutando de ventos e calmarias? Será que é um dos que se atracaram com ancoras e cordas e não se aventura? Ou perdeu as coordenadas e deixou passar a hora da viagem?" O mar passou a estar enxameado de naus e navios, mas eu penso "Quantos serão os avisados que seguem o seu rumo sem perderem o norte e sem medo da incógnita da viagem?" É uma dúvida cruel esta que se me colocou. Onde estará o meu barco?
Há dias assim em que o tempo não tem cor, só desliza cansado, frio e amorfo.
beijos Karla