domingo, 9 de setembro de 2012

A minhas amigas...




"Um destes dias, “saltou-me“ um livro para as mãos, cujo autor dizia num tom pouco amistoso e desconfiado, que “… já não se percebe nada disto, estamos mesmo a viver relações invulgares…”
Sorri.
Engraçado como me parece que de uma ou de outra forma todos nós estamos a sentir, com mais ou menos agrado, com mais ou menos intensidade estas mudanças “estruturais” com que a vida nos está a confrontar.
Este é um tempo de reposição de verdade.
Um tempo onde o coração dos homens tem de se sobrepor à sua mente, um tempo de autenticidade, de desapego de velhos e obsoletos paradigmas, um tempo onde, claro está, qualquer “ vulgaridade” tem os dias contados.
As relações não fogem à “regra” até porque elas, (como não me canso de afirmar), são um excelente veículo de autoconhecimento e de transformação pessoal.
Estamos a ser convidados a viver relações de parceria espiritual, verdadeiras e genuínas, baseadas na verdade, na confiança e na transparência.
Talvez esta seja uma parte da “ invulgaridade”, pois o que mais se vê por aí, são relações baseadas no medo, na posse, no apego, no “fingir-que-se-está”, na indiferença e na mentira. Proíbe-se em nome do amor, exige-se em nome do amor, bate-se em nome do amor, interroga-se em nome do amor, sem nunca se chegar a perceber o que é realmente o verdadeiro amor.
Precisamos aprender que o amor não condiciona, liberta.
Não reduz, amplia.
Precisamos viver parcerias livres e genuínas, onde se aceite desafiar as partes receosas das nossas personalidades com verdade e transparência. Precisamos deixar para trás crenças sobre príncipes e princesas que foram felizes para sempre.
Precisamos aceitar a “invulgaridade” dos tempos para repor a verdade.
Aprender que desapego não é indiferença, liberdade não é libertinagem, monogamia é vocação e não dever, semelhanças não são afinidades, e que o único compromisso que devíamos ter com o outro é o compromisso com a verdade.

Acredito que ao "vulgarizarmos" esta " invulgaridade" seremos pessoas mais sãs e muito, mas muito mais felizes !!!"


Cristina Leal



Um comentário:

maria disse...

Com o progresso tecnológico e a rapidez com que a distância se torna proximidade, tudo passou a estar à mão, perto, acessível. As relações ampliaram-se tal como as cidades. As amizades alargaram-se, deixaram de ser tão regadas com a presença física, ampliaram-se os horizontes do conhecimento e as relações humanas assumem contornos imprevistos e ao mesmo tempo fascinantes. Na era do facilmente acessível e à distância de um clique, descobrem-se preciosidades raras em termos de amizades e as relações tornam-se muito diversificadas e perigosamente descartáveis. Qualquer relação para ser verdadeira e biunívoca precisa de ser honesta e verdadeira, trabalhada, caso contrário não sobreviverá dado o amplo leque de escolhas possíveis. Talvez daí advenha a necessidade de redesenharmos conceitos e sentimentos, ajustando-os aos seres em que nos tornámos e ao contexto em que vivemos. Se por um lado sabermos que os príncipes e o "viveram felizes para sempre" existe nos livros e foge muitas vezes à realidade da vida, por outro dava-nos uma segurança no futuro, uma continuidade de uma vida que podia ser sofrida mas seria partilhada. Talvez seja esse sentimento que se procura, até em relações inquinadas. O saber-se que mesmo em solidão interior está acompanhado em presença física. Isso leva a que se suportem atropelos que de outra forma seriam simplesmente insuportáveis. Talvez devamos de facto perder os nossos medos e cultivar mais honestidade na forma com que nos relacionamos uns com os outros, para sermos e fazermos os outros felizes. Um abraço Karla.