domingo, 5 de agosto de 2012

Mundo de Cores






À tarde com seus tons mágicos sempre chega ao fim. No meio da mata, os animais se fazem ouvir em sua sinfonia, impregnando de louvores as teias do tempo sem ontem nem amanhã. Borboletas e abelhas esvoaçam no meio da floresta com seus mil cheiros e aromas. Nos céus, aves voam em um arco íris de cores e formas.  Qual rede dos sonhos a natureza filtra a escuridão. No meio da natureza estamos longe das visões e impressões menos agradáveis do outro mundo, mais complexo e elaborado, mas muito menos harmonioso, o mundo do bicho homem em sua selva de marfim. 




"Não posso escolher como me sinto, mas posso escolher o que fazer a respeito."
William Shakespeare





Tenho fases como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
Tenho outras de ser sozinha.


Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.


E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases como a lua...)
No dia de alguém ser meu
Não é dia de ser sua...
E, quando chega esse dia,
O outro desapareceu...
(Cecília Meireles)



Não é suficiente esperar a tempestade passar é necessário aprender a dançar na chuva.


Busco porto
Busco teu corpo
Busco consolo no teu colo.



Cristaliza gota solta em minha boca carmesim
Desliza leve e solta em minha face sem começo ou fim.
Marca caminho entre vales escuros onde a dor serve de adorno
Leva embora ecos e trecos que trovejam em mim.



Com a fantasia desejada
Em ânsia ilimitada.
Gostaste do teu papel
Forjado em conto de fadas
E a sorrir adormeceste
Da realidade esqueceste
Então o lume
Exigente na atenção
Lentamente esmoreceu
E a bruma expectante dos sonhos
Inundou de rompante
A razão do coração.





Um comentário:

maria disse...

Se ao menos as cores fossem imutáveis saberíamos sempre como agir. O branco seria só branco e não branco gelo, branco marfim, o azul seria só azul e não ceruleo, cobalto, ultramar, caribe, celeste, numa profusão de gamas que tornam a natureza aquilo que é: rica de tons, matizes e nuances, tal e qual como nós, que a podemos observar na sua riqueza e complexidade. Somos tão complexos como essas cores, imprevisíveis, insatisfeitos, sempre a tentarmos acomodar-nos às situações e sentimentos. Carregamos máscaras que nem sabemos que trazemos, temos receios que desconhecíamos, apetites de manjares que nunca provámos. Tão complexos como as cores da natureza, tão indefinidos que poucas vezes nos encontramos naquela dádiva absoluta que só existe na fantasia dos nossos sonhos. O ser humano vive numa riqueza que muitas vezes não percebe sempre à procura nem ele próprio sabe o quê. Se ao menos o nosso espírito sossegasse!