quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Pequenas coisas...







A história a seguir é contada pelo Sheikh Qalandar Shah,
no seu livro "Asrar-i-Khilwatia" (Segredos dos Solitários):




No lado oriental da Armenia existia um pequeno vilarejo
com duas ruas paralelas, chamadas respectivamente
Via do Sul e Via do Norte.


Um viajante, vindo de muito longe,
passeou pela Via do Sul, e logo resolveu visitar
a outra rua; entretanto, assim que chegou ali,
os comerciantes notaram que seus olhos estavam
cheios de lágrimas.
"Alguém deve ter morrido na via do Sul",
disse o açougueiro para o vendedor de tecidos.
"Veja como este pobre estranho,
que acaba de chegar dali, está chorando!"
Uma criança ouviu o comentário e,
como sabia que a morte era algo muito triste,
começou a chorar histericamente.
Pouco tempo depois, todas as crianças
daquela rua estavam chorando.
O viajante, assustado, resolveu partir imediatamente.
Jogou fora as cebolas que estava descascando para comer
- e esta era justamente a razão de ter os olhos
cheios de lágrimas - e sumiu…
As mães, entretanto, preocupadas pelo pranto das crianças,
logo foram procurar saber o que estava acontecendo,
e descobriram que o açougeiro, o vendedor de tecidos,
e - a esta altura - vários comerciantes estavam
preocupadíssimos com uma tragédia que ocorrera
na Via do Sul.
Logo os boatos começaram;
e como a cidade não tinha muitos habitantes,
em breve todos os que moravam nas duas ruas
sabiam que alguma coisa horrível havia acontecido.
Os adultos começaram a temer o pior;
mas preocupados com a dimensão da tragédia,
resolveram não perguntar nada,
a fim de não piorar a situação.
Um homem cego, que morava na Via do Sul
e não entendia o que estava acontecendo,
resolveu indagar:
"Por que tanta tristeza nesta cidade
que sempre foi um lugar tão feliz?"
"Algo muito grave aconteceu na Via do Norte",
respondeu um dos habitantes.
"As crianças choram, os homens estão
com a testa franzida, as mães pediram
para que seus filhos voltassem para casa,
e o único viajante que visitou esta cidade
em muitos anos, partiu com os olhos cheios de lágrimas.
Talvez a peste tenha chegado à outra rua."
Não foi necessário muito tempo para que
o rumor de uma doença mortal, desconhecida,
havia atingido cidade.
Como, entretanto, o choro havia começado
com a visita do viajante à Via do Sul,
ficou claro para os moradores da Via do Norte
que a peste tinha começado ali.
Antes que anoitecesse, os habitantes de ambas as ruas
já haviam abandonado suas casas,
e partiam em direção as montanhas do Leste.
Hoje, séculos depois, o antigo lugarejo
por onde passou um viajante descascando cebolas,
ainda continua deserto.
Não muito longe dali, surgiram duas aldeias,
chamadas Via do Leste e Via do Oeste.
Seus habitantes, descendentes dos antigos moradores
do vilarejo, ainda não se falam, já que o tempo
e as lendas se encarregaram de colocar uma grande
barreira de mêdo entre eles.
Comenta o Sheikh Qalandar Shah:
"tudo na vida é uma questão de atitude
que temos diante das coisas, e não das próprias
coisas em si mesmas.
Eu tenho sempre a possibilidade de descobrir
a origem de um problema, ou escolher aumenta-lo de
tal maneira, que termino sem saber onde ele começou,
qual a sua dimensão, como pode afetar minha existência,
e como é capaz de me afastar das pessoas que antes amava."



Paulo Coelho
www.paulocoelho.com.br









Lembranças imperdíveis...


O meu primeiro amor e eu sentávamos numa pedra
Que havia num terreno baldio entre as nossas casas.
Falávamos de coisas bobas,
Isto é, que a gente achava bobas
Como qualquer troca de confidências entre crianças de cinco anos.



Crianças…






Parecia que entre um e outro nem havia  ainda separação de sexos


A não ser o azul imenso dos olhos dela,
Olhos que eu não encontrava em ninguém mais,
Nem no cachorro e no gato da casa,
Que tinham apenas a mesma fidelidade sem compromisso
E a mesma animal - ou celestial - inocência,
Porque o azul dos olhos dela tornava mais azul o céu:
Não, não importava as coisas bobas que disséssemos.
Éramos um desejo de estar perto, tão perto
Que não havia ali apenas duas encantadas criaturas
Mas um único amor sentado sobre uma tosca pedra,
Enquanto a gente grande passava, caçoava, ria-se, não sabia
Que eles levariam procurando uma coisa assim por toda a sua vida….
(Mario Quintana)






Khalil Gibran



                               O amor não tem outro desejo senão 



o de atingir a sua plenitude.






Se, contudo, amar é precisar ter desejos, 




sejam estes os vossos desejos:




De se diluir no amor e ser como um riacho 


que canta a sua melodia para a noite… 


De conhecer a dor de sentir ternura de mais…


De se ferir por vossa própria compreensão do amor … 


De sangrar de bom grado e com alegria… 


De despertar na aurora com o coração alado 


e agradecer por um novo dia de amor…



De descansar ao meio-dia e meditar sobre o êxtase do amor…


De tornar à casa de noite, com gratidão … 


E de adormecer com uma prece no coração, para o ser bem amado, 


e nos lábios uma canção de bem aventurança …




(Khalil Gibran-in O Profeta)


   










Pensamento do dia...

No aspecto geral das pequenas coisas, devemos trazer como regra a possibilidade e capacidade de
interromper com o  círculo vicioso do  mal-estar. 

Observe, livre de idéias pré-concebidas, o que está faltando em sua vida, para se sentir melhor, o que está faltando fazer agora mesmo para respirar mais feliz.
E faça, sem desculpismos ociosos.
Não admita viver de migalhas. Você não é um mendigo do
Cosmos. É um filho da Abundância, e nada nem ninguém podem
deserdá-lo dessa sina.
Claro que haverá tropeços, mas como desafios, não como
desgraças. Mude sua ótica e brigue por sua felicidade: é seu dever.




(Temístocles)







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