O ser humano luta diariamente contra os limites angustiantes dos poderes da razão. Onde segundo Fanelon "...é dado o sentido do tempo, do visível, do invisível, do sagrado, do profano, do prazer, do desejo, da beleza e da feíura, da bondade e da maldade, da justiça e da injustiça."
Com tal panorama, mesmo na loucura da busca pela fartura, a alma busca ansiosamente pela calma encontrada no direito de escolha. Livre arbítrio de viver sem a pressão do markting do sucesso a toda custa, valorando pequenos ganhos com lisura e honradez, valorando o simples por sua singelez.
Pretendo ser singelo um dia. Sim, admito sinceridade ter.
Mas como ser singelo, se minha'lma não permite ser.
Me desloco na virada de meus pensamentos
naquele canto que so eu sei encontrar
me visto de preto azulado, calado
assim pretendo ficar
Se sonho, quando choro
ou se choro, quando sonho
é porque meus desejos são secretos
Pretedo nem contar, pois já estão ai
quem quiser saber, sempre leia, entenderão
os desejos estão nas linhas,
e nas linhas eles ficarão.
Mas como ser singelo, se minha'lma não permite ser.
Me desloco na virada de meus pensamentos
naquele canto que so eu sei encontrar
me visto de preto azulado, calado
assim pretendo ficar
Se sonho, quando choro
ou se choro, quando sonho
é porque meus desejos são secretos
Pretedo nem contar, pois já estão ai
quem quiser saber, sempre leia, entenderão
os desejos estão nas linhas,
e nas linhas eles ficarão.
(Dering)
Em toda parte tanta gente tenta
Abrigar-se a sombra de paredes rotas
Construíndo sonhos em vivendas ocas
Destruíndo almas em ambição louca.
Bem que se quis
Encontrar um canto sem canto
Onde o vizinho fosse o vento
E a única passagem a interior
Só então se viu
Que solidão, que vazio
A sanidade por um fio
Que o silêncio só aumenta a dor
Ao findar a busca
do isolamento a toda custa
Fica somente uma pista
Para viver não basta ser homem interior.
Nodosas mãos em tez trigueira
Faceiro riso com trocas ao pé da orelha
Longa vida povoada por lembranças
Tantos atos, tantos fatos, tantos contos
Mãe mocinha, vó matreira
Só o tempo a vós engana
Com sua vida semeaste outras tantas
Que hoje louvo teu gingar gracioso
Vó querida, vó Teresa.
Quando as borboletas começarem a partir é sinal que alguma coisa
aconteceu… talvez os ventos… remoinhos…Talvez a chuva… tempestade.
(Cícero Leitão)
A tua nudez inquieta-me.
Há dias em que a tua nudez
é como um barco subitamente entrado pela barra.
Como um temporal. Ou como
certas palavras ainda não inventadas,
certas posições na guitarra
que o tocador não conhecia.
é como um barco subitamente entrado pela barra.
Como um temporal. Ou como
certas palavras ainda não inventadas,
certas posições na guitarra
que o tocador não conhecia.
A tua nudez inquieta-me. Abre o meu corpo
para um lado misterioso e frágil.
Distende o meu corpo. Depois encurta-o e tira-lhe
contorno, peso. Destrói o meu corpo.
A tua nudez é uma violência
suave, um campo batido pela brisa
no mês de Janeiro quando sobem as flores
pelo ventre da terra fecundada.
para um lado misterioso e frágil.
Distende o meu corpo. Depois encurta-o e tira-lhe
contorno, peso. Destrói o meu corpo.
A tua nudez é uma violência
suave, um campo batido pela brisa
no mês de Janeiro quando sobem as flores
pelo ventre da terra fecundada.
Eu desgraço-me, escrevo, faço coisas
com o vocabulário da tua nudez.
Tenho «um pensamento despido»;
maturação; altas combustões.
De mão dada contigo entro por mim dentro
como em outros tempos na piscina
os leprosos cheios de esperança.
E às vezes sucede que a tua nudez é um foguete
que lanço com mão tremente desastrada
para rebentar e encher a minha carne
de transparência.
com o vocabulário da tua nudez.
Tenho «um pensamento despido»;
maturação; altas combustões.
De mão dada contigo entro por mim dentro
como em outros tempos na piscina
os leprosos cheios de esperança.
E às vezes sucede que a tua nudez é um foguete
que lanço com mão tremente desastrada
para rebentar e encher a minha carne
de transparência.
Sete dias ao longo da semana,
trinta dias enquanto dura um mês
eu ando corajoso e sem disfarce,
ilumindo, certo, harmonioso.
E outras vezes sucede que estou: inquieto.
Frágil.
Violentado.
trinta dias enquanto dura um mês
eu ando corajoso e sem disfarce,
ilumindo, certo, harmonioso.
E outras vezes sucede que estou: inquieto.
Frágil.
Violentado.
Para que eu me construa de novo
a tua nudez bascula-me os alicerces.
a tua nudez bascula-me os alicerces.
Fernando Assis Pacheco, in “A Musa Irregular”
Bons Sonhos!







Um comentário:
Estou em dúvida sobre aquilo em que os meus olhos caíram...se nas palavras belas de uma nudez inquietante, nas palavras voadoras segredadas em ouvidos curiosos e ávidos do serviço noticioso da avó, da tia , da vizinha ... se nas imagens ilustrativas da inquietação, da triquice, das casas com perfume doce de verão... do que gosto mais? Não sei Karla, acho que se completa tudo tão bem, que me apetece agarrar em tudo e ficar com todas estas palavras e sentimentos ilustradas e ilustrados!! Gostei muito.
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