sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Momentos no tempo...




Surgiu como um clarão
Um raio me cortando a escuridão
E veio me puxando pela mão
Por onde não imaginei seguir
Me fez sentir tão bem, como ninguém
E eu fui me enganando sem sentir
E fui abrindo portas sem sair
Sonhando às cegas, sem dormir
Não sei quem é você


O amor em seu carvão
Foi me queimando em brasa no colchão
E me partiu em tantas pelo chão
Me colocou diante de um leão
O amor me consumiu, depois sumiu
E eu até perguntei, mas ninguém viu
E fui fechando o rosto sem sentir
E mesmo atenta, sem me distrair
Não sei quem é você


No espelho da ilusão
Se retocou pra outra traição
Tentou abrir as flores do perdão
Mas bati minha raiva no portão
E não mais me procure sem razão
Me deixe aqui e solta a minha mão
Eu fui fechando o tempo, sem chover
Fui fechando os meus olhos, pra esquecer

Quem é você?

(Ana Carolina)

 
 


O TEMPO


O tempo passa? Não passa

no abismo do coração.

Lá dentro, perdura a graça

do amor, florindo em canção.

O tempo nos aproxima

cada vez mais, nos reduz

a um só verso e uma rima

de mãos e olhos, na luz.

Não há tempo consumido

nem tempo a economizar.

O tempo é todo vestido

de amor e tempo de amar.

O meu tempo e o teu, amada,

transcendem qualquer medida.

Além do amor, não há nada,

amar é o sumo da vida.

São mitos de calendário

tanto o ontem como o agora,

e o teu aniversário

é um nascer a toda hora.

E nosso amor, que brotou

do tempo, não tem idade,

pois só quem ama escutou

o apelo da eternidade.


(Carlos Drummond de Andrade )




Frustração...


Quando eu era pequena, fazia uma brincadeira na piscina
que até hoje as crianças fazem: tapar o nariz e a boca
e ficar embaixo d'água, contando os segundos pra ver
quem consegue ficar mais tempo sem respirar.
É bem verdade que a gente não precisa de uma piscina
para fazer este teste, pode fazer neste mesmo instante aonde
quer que esteja, mas éramos crianças, éramos imaginativos,
éramos mergulhadores em alto-mar.
Testar nossa resistência é uma maneira de avaliar
o quanto estamos preparados para as adversidades.
Serão poucas as vezes na vida que teremos que passar
um tempo sem respirar, oxalá nenhuma.
Mas serão muitas as vezes em que teremos que
testar nossa resistência à frustração
Um... dois... três... quatro... serão mais do que segundos,
mais do que minutos ou horas trancando a respiração,
lutando para não explodir.
Algumas frustrações levam dias ou meses
para serem elaboradas dentro da gente.
As coisas quase nunca saem como a gente planejou,
há sempre o elemento surpresa, que desencaminha nossos sonhos.
É preciso ter muito pulmão para respirar fundo e muita
cabeça fria para não botar tudo a perder.
A gente manda um e-mail amoroso e extenso e recebe
uma resposta fria e lacônica.
A gente organiza uma festa na nossa casa e só aparecem três
gatos pingados.
A gente combina de ir para a praia no feriadão e pinta,
de última hora, um plantão no trabalho.
A gente economiza anos para comprar um carro e quando
está com o dinheiro na mão, tem que emprestá-lo para alguém que ficou
repentinamente doente na família.
E as frustrações de amor? Uma atrás da outra.
Parece que ninguém reage como a gente espera.
Todos uns desmancha-prazeres.
Os que não têm muita resistência saem atropelando,
cortando relações, dramatizando o que nem é tão dramático assim.
Depois mergulham em longas depressões e custam a voltar à tona.
Já os mais resistentes sabem que nada é tão
sério nesta vida, a não ser ela própria, a vida,
e tratam de aproveitá-la com mais serenidade e paciência.
Contam até três, até dez, até vinte,
e basta de autoflagelação: voltam a respirar.

(Martha Medeiros)



"Somos o que fazemos, mas somos, principalmente,

o que fazemos para mudar o que somos"

(Eduardo Galeano)




"Tão fora de tempo chega aquele que
vai depressa demais como aquele que se
atrasa"

(William Shakespeare)



A poesia nos deve surpreender pelo seu delicado excesso
e não porque é diferente.
Os versos devem tocar nosso próximo,
como se ele tivesse lembrado algo que nas noites dos tempos já
conhecia em seu coração.
A beleza de um poema não está na capacidade
que ele tem de deixar alguém contente.
A poesia é sempre uma surpresa,
capaz de nos tirar a respiração por alguns momentos.
Ela deve permanecer em nossas vidas como o pôr-do-sol:
Algo milagroso e natural ao mesmo tempo.

( J. Keats )



Bons Sonhos!




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